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terça-feira, 2 de agosto de 2016

Como lidar com a falta de apetite na terceira idade


Carência nutricional pode elevar os riscos à saúde na população mais idosa



Ter uma dieta equilibrada é fundamental em todas as etapas da vida – é dos alimentos que o organismo obtém a energia necessária para seu funcionamento pleno. Porém, com o decorrer dos anos, nosso corpo passa por mudanças significativas que influenciam diretamente sob a qualidade da alimentação: com o envelhecimento, diversos fatores podem limitar e até mesmo dificultar a oferta adequada de nutrientes. Neste âmbito, a ausência de apetite é uma das questões que mais preocupam - a inapetência na terceira idade pode prejudicar a saúde numa fase em que, por natureza, já se inspira maiores cuidados. As razões para este problema podem ser múltiplas, porém, em todos os casos, buscar alternativas e redobrar a atenção com a dieta são medidas essenciais para evitar a desnutrição e garantir mais qualidade de vida ao idoso.

Mudanças fisiológicas x nutrição

Muitas vezes, a perda de apetite é decorrente de alterações próprias do envelhecimento: a redução do olfato, paladar e até mesmo tato podem diminuir o interesse pelo alimento. É natural que o idoso enfrente problemas na dentição, tornando a deglutição mais dificultosa. Com o passar dos anos, o sistema digestivo também fica mais sensível – alimentos que antes eram ingeridos com frequência passam a causar certo desconforto durante a digestão. Todos esses fatores podem afetar significativamente a relação do idoso com a comida: diante de tantas dificuldades, muitos passam a evitar determinados alimentos e cortam, deliberadamente, importantes itens da dieta.

Ainda que alguns sinais sejam comuns do avanço da idade, é primordial ficar atento às mudanças do organismo para que se evite maiores complicações. Quando essas alterações passam a impactar o desejo pelo alimento é hora de ficar alerta: nesta fase o corpo já requer um aporte nutricional maior e mais qualificado. De acordo com a nutricionista Jéssica Freitas da Nova Nutrii, especializada em nutrição clínica, “Muitos idosos já convivem com situações de saúde que restringem sua oferta de alimentos, logo, a inapetência dificulta ainda mais o aporte nutricional adequado. Como nessa fase já existe uma perda natural de massa muscular, os impactos da alimentação insuficiente podem ser ainda maiores.” – explica.

Por serem mais propensos à problemas nutricionais, a falta de apetite em idosos é também uma questão de saúde. Especialmente porque outros fatores também podem estar relacionados ao distúrbio: baixa hormonal, alterações metabólicas, tratamentos específicos e até mesmo problemas psicológicos podem estar por trás da inapetência.

Buscando alternativas

A nutrição adequada é indispensável em todas as faixas etárias: precisamos diariamente da oferta de carboidratos, proteínas, gorduras, sais minerais, vitaminas e água. Esses nutrientes são essenciais para o bom funcionamento do organismo e a manutenção da saúde. Cada um desses grupos possui características fundamentais e complementares, sendo que a falta de qualquer um deles pode afetar significativamente a saúde. Idosos, em especial, costumam restringir a alimentação à refeições de fácil deglutição – muitas vezes recorrem à purês e sopas quando a dificuldade de mastigação é acentuada. Com a redução da diversidade no cardápio muitos podem perder o interesse pelas refeições e, gradativamente, passam a ingerir cada vez menos alimentos. Além disso, existem situações nas quais o idoso está em tratamento específico, que exclui um grupo de alimentos da sua dieta. Nesses casos, como agir para que a falta de apetite não prejudique a nutrição? A princípio é extremamente recomendável assim que os primeiros sinais de dificuldades na alimentação sejam notados, um profissional de saúde seja consultado afim de investigar a causa do distúrbio. Da mesma forma, ao perceber alterações significativas no apetite, é fundamental consultar um nutricionista antes de fazer alterações deliberadas na dieta, somente ele será capaz de avaliar o estado nutricional do paciente e orientá-lo adequadamente.

Porém, algumas medidas simples podem ser tomadas para enfrentar o problema. De acordo com a especialista Jéssica Freitas, a primeira coisa a ser feita é avaliar a qualidade dos hábitos alimentares “Alimentar-se bem não significa comer muito, mas comer adequadamente. É essencial que o idoso cultive o hábito de alimentar-se de 3 em 3 horas, tanto para garantir a oferta constante de energia quanto para facilitar a ingestão nutricional ao longo do dia. Dessa forma, é possível diversificar o aporte nutricional em pequenas porções.”

Outro ponto é trabalhar a diversidade desse cardápio – buscar alternativas para alimentos que agradem o paladar: “A refeição tem que ser prazerosa, logo repetir um único alimento, além de monótono, torna-se enjoativo. Com o tempo, o prazer de apreciá-lo não será o mesmo. Diversificar as preparações também é fundamental para estimular os sentidos: ainda que o paladar esteja prejudicado, é possível estimular o olfato e vice-versa. O visual também influencia significativamente sobre o apetite.”

Reforço Nutricional

Em alguns casos, em decorrência da baixa qualidade da alimentação ou de situações específicas, o aporte nutricional pode ficar abaixo do recomendado. Quando isso ocorre, a saúde do idoso pode ficar debilitada devido à falta de vitaminas e nutrientes, pois a oferta através da alimentação tradicional pode não ser o suficiente. Nessas situações, com o devido acompanhamento profissional, alternativas para complementar a dieta podem ser necessárias: a suplementação pode auxiliar a preservar ou recuperar o estado nutricional de um paciente afetado pela alimentação insuficiente. “Naturalmente, os idosos já possuem maior dificuldade em absorver e metabolizar determinados nutrientes, e quando alguma situação de saúde ou a própria inapetência impede ou limita a ingestão diversificada de alimentos, suplementos capazes de suprir a oferta proteica ou calórica podem ser essenciais para evitar a perda de peso acentuada e outras complicações da desnutrição.” – explica Jéssica.

Há também situações nas quais a falta de apetite é agravada por outros fatores, como o uso de certos medicamentos, tratamentos, sequelas de problemas de saúde e até mesmo doenças crônicas. Quando a alimentação oral é prejudicada de forma significativa, a alimentação enteral pode ser necessária como parte do tratamento clínico para assegurar a nutrição do idoso. Nesses casos, a utilização de sonda para complementar ou substituir a dieta convencional pode servir como terapia nutricional, auxiliando na recuperação dos casos mais severos. Em todas as situações é essencial que o idoso, seus familiares ou cuidadores sigam as recomendações do nutricionista, e jamais façam uso de qualquer produto suplementar sem a devida orientação médica.

Mudanças comportamentais

Alimentar-se é muito mais do que simplesmente nutrir o corpo – o ato também é de extrema importância social. As refeições marcam importantes momentos da vida, pois através dela celebramos diversas ocasiões. Logo, a hora da refeição deve ser também um momento de interação com família e amigos. É extremamente importante que o idoso cultive o hábito de fazer as refeições acompanhado e, mesmo quando tenha dificuldades de alimentar-se, tenha companhia nesse momento, não apenas para auxiliar, mas também para interagir. Envolver familiares, cuidadores e amigos nesse processo torna esses desafios mais amenos.

Para muitos, essa etapa da vida também requer mudanças no cardápio. Seja devido à condições de saúde, seja pelas dificuldades próprias da terceira idade. É preciso encarar esse momento como uma oportunidade para adoção de uma rotina mais saudável, com a escolha de alimentos mais nutritivos e benéficos à saúde. Dessa forma é possível aproveitar essa importante fase com mais bem estar bem estar e qualidade de vida.

Dicas

Fique atento aos sinais: ter menos apetite ocasionalmente é normal, porém, se a situação se tornar corriqueira, procure um médico;
Próteses mal adaptadas e problemas dentários podem afetar a deglutição e causar desconfortos que desestimulem a alimentação. É importante observar esses sinais e consultar-se regularmente com um dentista para evitar essas situações;
Variar o cardápio é essencial para estimular os sentidos: se o paladar está reduzido, aposte no aroma e visual da preparação para compensar essa perda. Em todos os casos é possível explorar o melhor dos alimentos para instigar o apetite;
A oferta de pratos coloridos, além da maior diversidade de nutrientes também melhoram aceitação;
Certos tratamentos e medicações podem causar a inapetência como efeito colateral, relate o ocorrido ao seu médico e jamais faça automedicação;
Incentivar o convívio familiar e social é essencial para que a refeição do idoso seja mais prazerosa, evite o isolamento e esteja atento à sinais de tristeza e depressão;
Adeque a dieta: opte por alimentos palatáveis de fácil consumo. Aposte na variação de sopas, purês e vitaminas para facilitar a ingestão. Consulte um nutricionista, ele será capaz de auxiliar na elaboração de um cardápio nutritivo e variado. Além disso, irá avaliar a necessidade de suplementação nutricional para complementar a dieta.

Fonte: Nova Nutrii

3 comentários:

  1. Passei pra ver as novidades e te desejar um ótimo dia :)

    Parabéns pelo post! Muito legal a abordagem desse assunto, pois nossos idosos merecem todo carinho e atenção.

    beijinhos :*
    http://noostillo.blogspot.com.br/

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  2. bah, que post interessante e importante Van! Parabéns!
    Me dá licença de copiar?
    bjs

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